Diálogos Transformadores: Tecnologias Sociais – Soluções que mudam realidades.

No dia 23 de maio, acompanhamos o evento “Diálogos Transformadores”, atividade promovida pela Folha de São Paulo (Rede Folha de Empreendedorismo Social) e Fundação Ashoka. O evento foi patrocinado pelo Governo Federal do Brasil e Fundação Banco do Brasil. O evento discutiu as alternativas para a implementação e disseminação das tecnologias sociais no país e, em si, já foi uma forma de ampliar a visibilidade desta pauta.

Foram convidados para o evento representantes de projetos que desenvolveram Tecnologias Sociais como “casos inspiradores”. Foram chamados Júlia Carvalho, fundadora da ONG Fast Food da Política, Cláudia Vidigal, idealizadora do Instituto Fazendo História, e Hamilton da Silva, criador do Saladorama. Na mesa, três coordenadores de programas que atendem projetos de tecnologia e desenvolvimento social: Antonio Barbosa, coordenador da ASA (Articulação do Semiárido), Rogério Bressan Biruel, diretor-executivo de Desenvolvimento Social da Fundação Banco do Brasil, e Haroldo Machado Filho, assessor sênior do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). E os debatedores Sonia da Costa, diretora de Políticas e Programas de Inclusão Social do Ministério da Ciência e da Tecnologia, e Roberto Rocha, representante do Movimento
dos Catadores.

O debate passou por rodadas em que os convidados discutiram como dar visibilidade às tecnologias sociais, incentivar sua reaplicação e expansão – tanto empoderando os coletivos e comunidades, quanto as organizações promotoras das tecnologias e com recursos para auxiliá-las, como por ações das instituições e governos. Alguns temas de debate foram: “Como dar escala às Tecnologias Sociais” e “Qual seria o papel do governo na tarefa de transferir tecnologias sociais às comunidades em situação vulnerável.”. Houve espaço também para questionamentos às organizações presentes e para a apresentação de projetos que visam a fortalecer a aplicação e disseminação das tecnologias sociais.

Com relação ao papel do governo na transferência de tecnologias sociais, Sônia Costa (MCTIC) apontou três elementos relevantes que cabem ao governo segundo visão de sua diretoria dentro do MCTIC: 1) Identificar de forma sistematizada as iniciativas de TS; 2) Fomentar as ações mapeadas, principalmente através de editais próprios e de parceiros (como CNPq, Finep e Banco do Brasil); e 3) Garantir para a população o acesso às TS. A terceira tarefa seria o maior dos desafios. Garantir acesso às TS significa ampliar seu debate em toda a sociedade e enfatizá-lo do ponto de vista dos Direitos Humanos, da Inclusão Socioprodutiva e do acesso à Ciência e Tecnologia.

O significado e conceito de tecnologia social foi um ponto central retomado no encontro também. Os convidados reforçaram o caráter de tecnologia feita com foco na construção de soluções de demandas sociais, feita com envolvimento das comunidades demandantes, através das trocas de saberes entre academia e formas de produção tradicionais e locais, com sistematização dos processos e resultados e abertas para compartilhamento livre e reaplicação. Antonio Barbosa, coordenador da ASA, também reforçou que essas tecnologias devem ser apoiadas para que rompam a fase de testes e passem à reaplicação e se consolidem como Políticas Públicas.

Haroldo Machado fez outro destaque na discussão, apontando a importância das TS para o desenvolvimento sustentável. De acordo com sua visão, os ODS representam um grande avanço na agenda defendida pelos atores envolvidos com a questão do desenvolvimento sustentável e as TS configuram como uma das principais ferramentas para sua realização.

O evento foi encerrado com o agradecimento dos participantes e enaltecimento da diversidade (de gênero, cor da pele, institucional e temática) entre os presentes, tanto entre os protagonistas como na plateia. Avaliamos que, certamente, ampliar os espaços de diálogo e debate sobre as tecnologias sociais é uma iniciativa que pode abrir caminho para estruturar ações necessárias para potencializar, viabilizar e apoiar as soluções populares para as demandas sociais.

O ITS BRASIL tem uma história totalmente ligada à construção do conceito e propostas de Tecnologias Sociais, entendidas como ferramentas para fortalecer as iniciativas de construção do conhecimento popular para intervenção e transformação da realidade. Inclusive o projeto Fast Food da Política teve seu desenvolvimento apoiado pela equipe da rede Fab Lab LIVRE SP – rede de laboratórios de fabricação digital da Prefeitura Municipal de São Paulo com gestão do ITS BRASIL.

Valorizamos esta iniciativa da Folha e acompanharemos novas iniciativas que tenham o propósito de impulsionar as Tecnologias Sociais e seu alcance, atividade fundamental a nosso ver. Como afirmamos em nosso Caderno de Debate: Tecnologia Social no Brasil no item “Por que falar de Tecnologia Social?”:

“Foi principalmente no diálogo com as entidades da sociedade civil organizada e na observação de seu modo de ação que nasceu a percepção da Tecnologia Social como um conceito que poderia definir práticas de intervenção social que se destacam pelo êxito na melhoria das condições de vida da população, construindo soluções participativas, estreitamente
ligadas às realidades locais onde são aplicadas.

“Nomear” estas práticas tornava-se, entre outras coisas, uma forma de dar visibilidade e disseminar soluções que, embora eficazes, muitas vezes ficavam “escondidas” nos espaços onde aconteciam.”

Que cada vez mais as tecnologias ganhem espaços nos debates, publicações e ações da Sociedade Civil e Instituições e repercutam na elaboração de Políticas Públicas!