O Desenvolvimento Local Participativo corresponde ao conjunto das ações que acontecem a partir do território, com o envolvimento direto da população, tendo como resultado a criação de riqueza e a dinamização da economia, a geração de trabalho e renda e a melhoria do bem-estar e da qualidade de vida.
Em nossa história, tivemos três casos de aplicação deste modelo de ações em conjunto com os cidadãos de Cidade Ipava, Mestre D’Armas e Itapoã

Cidade Ipava

Quando um grupo de líderes comunitários de Cidade Ipava decidiu buscar o apoio e parceria do Instituto de Tecnologia Social (ITS), determinou o início, em 2004, do Projeto de Desenvolvimento Local Participativo para melhorar a qualidade de vida da população.
No Distrito do Jardim Ângela, zona sul de São Paulo, localiza-se Cidade Ipava, que tem 73,7% da população em alta e altíssima vulnerabilidade social, de acordo com o Mapa de Exclusão e Inclusão Social de São Paulo de 2000. Ao longo de décadas de ocupação desordenada, a população do bairro, que cresceu próximo à represa Guarapiranga, conviveu com a poeira e a lama, além da falta de infraestrutura urbana, creches, postos de saúde e escolas, poucas oportunidades de trabalho e renda e a posse de terra não regularizada, em plena área de mananciais.
Em maio de 2005, os resultados da pesquisa apresentados em assembleia de moradores indicaram as reivindicações mais urgentes: asfalto e esgoto.
A Pesquisa Popular favoreceu a intervenção da Subprefeitura de M’Boi Mirim (que administra o distrito do Jardim Ângela, onde fica Cidade Ipava), com as obras para ampliar o asfalto, e da Sabesp, de saneamento. Essas exigências eram feitas há três décadas.
A abertura do Telecentro Comunitário, uma das principais reivindicações dos moradores de Ipava foi o
primeiro passo do Plano de Ações para o desenvolvimento.A pesquisa dos moradores apontou a demanda por cursos de informática e a comunidade conseguiu
computadores doados para o Telecentro. Pesquisadores populares, que participaram do mapeamento do bairro em maio de 2005, foram capacitados pelo ITS para dar o curso de iniciação à informática.
Foto de crianças em suas bicicletas e adultos com cartazes agrupados para iniciar uma manifestação na rua.

Mestre D’Armas

Foi em 1985 que o governo do Distrito Federal autorizou o loteamento urbano em Mestre D’Armas, para conter o número de loteamentos irregulares e permitir a construção de casas e a urbanização. No entanto, não foram garantidos os padrões mínimos de infra-estrutura e preservação do meio ambiente.
O Setor Habitacional fica dentro de Área de Proteção Ambiental da Bacia do Rio São Bartolomeu, que está, em parte, integrada à Área de Proteção Ambiental do Planalto Central. O ribeirão Mestre D’Armas, que passa pelo bairro, é um importante afluente do rio São Bartolomeu. Os riscos ambientais se devem tanto ao crescimento da população sem um planejamento adequado quanto às atividades econômicas de Planaltina, como a produção de grãos, com uso intensivo de máquinas e agrotóxicos. Em 2005, o governo do Distrito Federal, o Ibama e as empresas responsáveis pelos serviços públicos como a Caesb (saneamento), a Terracap (habitação), a CEB (energia elétrica), a SLU (limpeza urbana), entre outras, assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Ao fazer isso, estes órgãos assumiram um compromisso perante o Ministério Público de tentar corrigir o uso descontrolado dos recursos naturais, combinado com ações de regularização urbana e fundiária em Mestre D’Armas.
Em maio e junho de 2008, as equipes saíram às ruas, de casa em casa e de comércio em comércio, entrevistando moradores e comerciantes. A pesquisa apontou os cinco principais problemas do bairro: a falta de serviços de saúde, asfalto, segurança, áreas de lazer e ensinos infantil e profissionalizante.
O levantamento também indicou os potenciais do bairro para conseguir seu desenvolvimento e resgatar a cidadania. Sobre as habilidades que as pessoas gostariam de transformar em profissão, destacaram-se artesanato, culinária, costura, manicure/pedicure, cabeleireiro e trabalho gráfico/impressos.
A Coopercoco, que trabalha com toda a cadeia produtiva do coco envolvida com entidades locais no projeto Mestre D´Armas Sustentável, pretende capacitar os moradores no cultivo de hortas urbanas e viveiros de plantas.
Os representantes das organizações comunitárias, pesquisadores populares, moradores, líderes religiosos e educadores se reuniram em grupos e debateram as prioridades. Definiram em assembleia oito prioridades para o Plano de Ações DLP: 1) formar o Conselho e capacitar as instituições para a gestão; 2)promover projetos de cultura e lazer; 3) implantar e manter equipamentos, públicos e serviços (posto de saúde, posto policial, creche); 4) promover educação e capacitação; 5) tecnologia e informação; 6) sustentabilidade ambiental; 7) trabalho, emprego e renda; 8) regularização fundiária.
Cidadãos reunidos em via principal da cidade, organizados para realizar manifestação.

Itapoã

Lideranças e entidades comunitárias de Cidade Itapoã, um dos mais pobres bairros no distrito Federal, organizaram-se e decidiram reunir esforços, no início de 2008, para realizar projeto de Desenvolvimento Local Participativo (DLP).
Como referência tinham a experiência da cidade satélite de São Sebastião, a primeira dos três locais do DF contemplados com a iniciativa.
O projeto de interesse público chegou nos três locais contando com o apoio da Secretaria de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social (Secis), do Ministério da Ciência e Tecnologia e a assessoria do Instituto de Tecnologia Social. O ITS BRASIL assegurou a Itapoã e a outras duas localidades pobres do Distrito Federal o enfoque da Tecnologia Social que leva conhecimentos para a população desenvolver e elaborar suas práticas e projetos de ação, conquistando qualidade de vida e desenvolvimento com justiça social.

Os cinco maiores problemas identificados na pesquisa popular em Itapoã:
ensino – de nível infantil, fundamental, médio e profissionalizante -, asfalto, transporte, segurança e saúde. Com base nos resultados da pesquisa apresentados em assembleia, lideranças e entidades definiram o PDL e planejaram as ações do projeto, focadas na melhoria da qualidade de vida. O Plano apresenta e detalha cinco prioridades em sintonia com as principais reivindicações da população: educação, segurança pública, geração de trabalho e renda, saúde, cultura, lazer e esporte.
O Conselho de Desenvolvimento Local Participativo criado em Itapoã é responsável por ampliar a mobilização e buscar caminhos e parcerias para a continuidade dos projetos no bairro. Assumiu em assembleia com os moradores o compromisso de levar adiante o projeto, e buscar os meios de fortalecer as organizações locais e as parcerias para
colocar em prática as ações prioritárias definidas.
Cidadãos reunidos em círculo, discutindo o projeto para sua cidade.

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