Banco Palmas


Foto do balcão de atendimento do Banco Palmas Foto de balcão de atendimento do Banco Palmas Foto da equipe de trabalho da cidade reunida em frente à sede do Banco Palmas

No Ceará há uma moeda em circulação que está longe de sofrer abalos. A “palma” é tão forte no Conjunto Palmeiras, a 20 km da capital, Fortaleza, que está viabilizando muitos negócios e gerando empregos para uma população de 32 mil moradores.
Lá, qualquer um pode empreender sem medo. Os financiamentos, para quem não consegue sequer chegar às portas das instituições financeiras tradicionais, existem.
Sandra Magalhães, coordenadora da Associação dos Moradores do Conjunto Palmeiras/ASMOCONP, fundada em 1981, conta que toda melhoria que hoje lá existe foi feita pelo povo. “Nós construímos tudo que o bairro tem”, comenta. Assim começou o processo de organização das famílias e desabrochou o espírito solidário.
No primeiro seminário organizado pela associação, batizado de “Habitando o Inabitável”, foi debatido com as famílias o que poderia ser feito para tornar a vida no bairro melhor. Tudo foi construído à base de mutirão. “Trouxemos o esgoto, a água, a drenagem, a escola, a coleta de lixo, o transporte, a praça, tudo”, lembra. A partir de então, o bairro precisava se tornar autossustentável, com a oferta de trabalho e renda.
No seminário de 1997, representantes de 26 entidades locais, delinearam como seria esse projeto. A necessidade de infraestrutura urbana foi imperativa nas demandas. Além disso, constatou-se, através de pesquisa popular, como funcionava o ciclo de produção e consumo do bairro. Só com alimentação, os trinta mil moradores gastavam à época R$ 1 milhão por mês, montante que migrava para o grande comércio. No seminário do ano seguinte surgiu a ideia
do Banco Palmas. “A gente dizia: este vai ser o banco dos pobres, da inclusão social”, relembra Sandra. Com R$ 2 mil, emprestados da OSCs Cearah Periferia, de Fortaleza, a instituição financeira da comunidade passou a oferecer microcrédito, a juros de 0,5% a 3% ao mês. Aos poucos, os empreendedores foram se organizando em cooperativas, com os princípios da economia solidária. Hoje são sete cooperativas no total.

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