Empregabilidade de Pessoas com Deficiência

O que é o PEI CENTRO / BOA VISTA?

Polo de Empregabilidade Inclusivo (PEI) Centro/ Boa Vista é uma ação do Programa Meu Emprego Trabalho Inclusivo do Governo do Estado de São Paulo, em que o ITS BRASIL realiza sua atual execução.

Este programa visa promover a autonomia da pessoa com deficiência por meio da sua inserção no mercado de trabalho formal e auxiliar na sua permanência na vaga de emprego. Desde janeiro de 2020 e mesmo durante a pandemia da COVID 19 segue atendendo à população de forma parcialmente remota e presencial.

Como funciona o PEI CENTRO / BOA VISTA?

O PEI Centro / Boa Vista atua com base na Metodologia do Emprego Apoiado e apresenta uma equipe de Técnicos de Emprego Apoiado que estão sempre prontos para apoiar as pessoas que buscam por atendimento. Essa metodologia tem como foco as potencialidades da pessoa com deficiência, conforme explica a técnica de Emprego Apoiado Thamyres Pimenta.

Relato da TEA Thamyres sobre o foco da Metodologia de Emprego Apoiado.

O primeiro passo do atendimento é realizar um levantamento de perfil. O objetivo nesta fase é conhecer o candidato com deficiência e criar com ele um vínculo de confiança. A quantidade de apoio necessária vai depender de cada caso.

Relato do TEA Wesley sobre as etapas do atendimento com base no Emprego Apoiado.

O técnico de Emprego Apoiado Wesley de Jesus fala sobre as etapas do atendimento como o processo de admissão e treinamento no posto de trabalho. Com enfoque na conquista da autonomia dos profissionais com deficiência, o apoio técnico traz maior segurança também às empresas que estão contratando.

Casos de inclusão

Relato do profissional com deficiência Fábio, sobre sua experiência no trabalho, o respeito e impacto positivo em sua saúde.

Fábio Belaus é operador de loja há quatro meses no Supermercado Madrid e possui deficiência mental leve. No apoio que recebeu pelo PEI CENTRO / BOA VISTA, foi orientado pela técnica de Emprego Apoiado a adquirir um laudo atualizado para que pudesse concorrer a uma vaga de emprego para pessoa com deficiência.

O relato de Fábio mostra o impacto positivo do trabalho em sua vida, principalmente em sua saúde. Ele afirma que com o trabalho, a dosagem da medicação que toma foi reduzida pela metade. Além disso, fala sobre o bem estar no trabalho com o respeito, apoio e reconhecimento que recebe pela equipe em que está inserido.

Relato do profissional com deficiência David sobre todo o apoio recebido no processo de inclusão no emprego e o impacto do trabalho em sua vida.

David Kengela é da República Democrática do Congo e possui deficiência física. Ele recebeu apoio durante o processo seletivo e também na abertura de sua conta-salário no banco. Mesmo com os documentos de imigração em ordem, diante da recusa do banco em abrir a conta, foi necessário recorrer ao apoio da gerência da empresa que o contratou para que sua conta fosse devidamente aberta.

Com a conta aberta, David foi contratado. Ele relata a mudança que o trabalho trouxe para a sua vida, permitindo que ele compre coisas básicas, consiga alugar uma casa e ajude sua família na África enviando dinheiro para eles.

Os vídeos com os relatos dos TEA’s Thamyres, Wesley e do profissional Fábio, foram produzidos e cedidos pela Comunicação da SEDPcD. Agradecemos o apoio para a realização desta matéria.

Tire suas dúvidas com o PEI CENTRO / BOA VISTA:

Candidatos

 Empresas

Cadastro de pessoas com deficiência e empresas no programa: http://trabalhoinclusivo.sedpcd.sp.gov.br/

Sensibilização com a Compre Bem Supermercados

No dia 19 de novembro, Vilma Roberto e Marcos Botelho do ITS BRASIL realizaram uma palestra de sensibilização sobre a Metodologia do Emprego Apoiado para a equipe de Recursos Humanos da Compre Bem Supermercados.

O evento, que contou com 27 participantes. foi mediado pela Vanessa Maroni, responsável pela Gestão de Pessoas na rede de supermercados.

Meu Emprego Trabalho Inclusivo

O ITS BRASIL atua com sua equipe técnica de Emprego Apoiado, por meio das ações do Polo de Empregabilidade Inclusivo (PEI) Centro/Boa Vista, que integra o Programa Meu Emprego Trabalho Inclusivo do Governo do Estado de São Paulo.

Vilma falou sobre a Metodologia do Emprego Apoiado que tem por objetivo a retenção e inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Hoje, o ITS BRASIL atua com esta metodologia no PEI Centro/Boa Vista, uma política pública sem custo para as empresas.

Equiparação das condições de trabalho

Relatando a própria experiência de vida, Vilma apresentou-se como pessoa com deficiência visual. Ela explicou que trabalha em um computador como qualquer outra pessoa sem deficiência. A diferença é que utiliza um programa de leitor de tela para realizar suas tarefas no trabalho.

O leitor de tela é uma tecnologia assistiva que possibilita a equiparação de condições, garantindo que uma pessoa cega realize as mesmas tarefas que uma pessoa sem deficiência realizaria no computador.

Cerca de ¼ da população brasileira, de acordo com o censo de 2010, apresenta algum tipo de deficiência. Para Vilma, essas pessoas precisam estar presentes ativamente na sociedade para poderem ser ouvidas, falarem sobre suas necessidades, e derrubarem as principais barreiras enfrentadas. A principal barreira apontada por Vilma é o preconceito contra a pessoa com deficiência.

Autonomia e independência

“As pessoas com deficiência querem ser cobradas e ter responsabilidades como qualquer outro profissional sem deficiência.” – Marcos Botelho

À primeira vista, pode-se pensar que a Metodologia do Emprego Apoiado é um método superprotetor para as pessoas com deficiência. Contudo, na realidade ele visa garantir a total autonomia e independência dessas pessoas.

De acordo com Vilma, em projetos anteriores do ITS BRASIL com a aplicação da Metodologia de Emprego Apoiado, a retenção foi de 70% desses profissionais em seus postos de trabalho.

Isso se deve a um conjunto de ações, que começam com as indicações que são feitas com base na potencialidade dos profissionais com deficiência.

Emprego Apoiado, metodologia e resultados

Na sequência, Marcos apresentou o processo de atendimento à pessoa com deficiência, que inicia com o levantamento de perfil.

Neste momento, o Técnico de Emprego Apoiado (TEA), em uma conversa de pelo menos 40 minutos com o candidato com deficiência. O TEA busca entender quais foram as experiências de trabalho do candidato, o que ele mais gosta de fazer e com que tipo de trabalho se identifica mais.

Para Marcos, o fato de indicar pessoas que se identifiquem com as tarefas no trabalho também contribui para manter um elevado índice de retenção nas vagas de emprego.

Sobre as etapas seguintes do atendimento, Marcos explicou que os TEA’s acompanham de forma presencial a pessoa com deficiência no posto de trabalho (conforme for possível e necessário, por conta da pandemia). Adotam estratégias junto aos Recursos Humanos e à liderança da empresa, de acordo com as demandas de cada caso.

Encerrando a palestra, Vanessa relatou o impacto positivo para as empresas de ações como a palestra que traz a conscientização sobre o tema para as equipes.

Confirmou também a elevada qualidade dos candidatos indicados por meio da Metodologia do Emprego Apoiado, que na maioria das vezes resultam em aprovação e retenção nas vagas.

Após a palestra, foi aberto o momento para perguntas. Confira:

Vanessa: Quais são as regiões atendidas pelo PEI Centro?

Marcos: As regiões de atendimento são a cidade de São Paulo e região metropolitana.

Vanessa: Como funciona o acompanhamento do Emprego Apoiado?

Marcos: A empresa envia as vagas disponíveis e o PEI encaminha os currículos dos perfis compatíveis com as vagas da empresa.

Caso o candidato não seja aprovado, buscamos com a empresa um feedback para que possamos orientar o candidato para uma próxima entrevista.

Se o candidato for aprovado, o RH entra em contato com o PEI e então nossos técnicos de Emprego Apoiado, havendo a necessidade, poderão mediar os diálogos e acompanhar processos.

Como por exemplo, o treinamento do contratado e organização da documentação para a contratação. O acompanhamento antes da pandemia era essencialmente presencial, mas hoje, devido às medidas de isolamento social, também ocorrem remotamente.

Vanessa: Existe algum material de conscientização para lideranças nas empresas sobre a inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho?

Marcos:  No momento não temos um material. Mas palestras de sensibilização como esta são uma ferramenta importante para trabalhar a conscientização das equipes e das lideranças. Podemos verificar a possibilidade de fazermos algo nesse sentido.

Vanessa: Qual é o tempo de espera a partir da apresentação da vaga até a indicação do PEI? 

Marcos:  Isso pode ser combinado com a empresa. Recebemos dela uma breve descrição da vaga e o prazo de recebimento de currículos.

Priscila: Vocês fazem esse acompanhamento apenas com candidatos indicados pelo PEI ou também com colaboradores já contratados pela empresa?

Marcos:  Como iniciamos nossas atividades do PEI Centro em janeiro de 2020, então podemos apoiar pessoas contratadas a partir de janeiro. Ressaltamos que um apoio só é possível se a pessoa com deficiência considerar que precisa de apoio.

Renata: Na prática esse apoio do técnico é só quando necessário e remoto ou vem alguém na loja para ajudar?

Marcos: Devido á pandemia, estamos realizando mais o atendimento remoto, mas quando necessário atendemos presencialmente. E a necessidade parte das demandas da empresa ou da pessoa com deficiência. Ficamos sempre à disposição, seja por telefone, e-mail ou vídeo chamada, reforçando a comunicação entre as partes.

Shirlei: Qual a melhor forma de abordar sobre a deficiência do candidato com deficiência em uma entrevista?

Marcos: A melhor forma não existe porque isso vai depender de cada pessoa e de cada situação. Às vezes a pessoa já está habituada à deficiência, ou então ela pode ter sido adquirida recentemente e ainda é um assunto sensível. Se for necessário abordar, é melhor fazer perguntas bastante abertas, que permitam que a pessoa se expresse sem o viés da limitação. Por exemplo, “você consegue fazer isso?”, “você precisa de ajuda?” ou “como eu posso ajudar você?”. 

ITS BRASIL na 17ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

A 17ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia trará o tema “Inteligência Artificial: a nova fronteira da ciência brasileira”. São 3.415 atividades realizadas em todo o Brasil, entre os dias 17 e 23 de outubro .

O evento é realizado desde 2004, com o intuito de promover a divulgação científica por meio de uma abordagem acessível à população, e fomentar a discussão sobre os impactos sociais e difundir conhecimento no país.

O INSTITUTO DE TECNOLOGIA SOCIAL – ITS BRASIL participará do evento online com a palestra “Tecnologia Assistiva e Fabricação Digital”, ministrada amanhã, dia 21/10, às 15h por Luiz Otávio de Alencar Miranda, presidente do instituto e coordenador sênior da rede FAB LAB Livre SP.

Confira aqui a programação completa de todos os estados brasileiros, e abaixo a programação de Mato Grosso, na qual o ITS BRASIL estará presente.

Programação geral online

DROGARIA SÃO PAULO ADERE AO MEU EMPREGO TRABALHO INCLUSIVO

PALESTRA DE SENSIBILIZAÇÃO PARA A DROGARIA SÃO PAULO

No dia 08/10, Vilma Roberto e Marcos Botelho, colaboradores do Instituto de Tecnologia Social – ITS BRASIL, apresentaram uma palestra online para a equipe de profissionais do Departamento de Recursos Humanos da Drogaria São Paulo, responsável pela seleção de novos profissionais da empresa. Suellen Marques faz parte da equipe e deu um apoio fundamental para a realização do evento.

A Drogaria São Paulo é agora uma empresa parceira no Programa Meu Emprego Trabalho Inclusivo da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) do Governo o Estado de São Paulo. Palestras como esta são importantes tanto para sensibilizar as equipes das empresas como para abrir oportunidades de trabalho para as pessoas com deficiência atendidas pelo Polo de Empregabilidade Inclusivo (PEI) Centro, ação que integra o programa da SEDPcD, aplicando a metodologia do Emprego Apoiado, com o objetivo de inserir e possibilitar a permanência da pessoa com deficiência no mercado de trabalho formal.

A PESSOA COM DEFICIÊNCIA NO BRASIL

Vilma apresentou os cinco tipos de deficiência: auditiva, autismo, física, intelectual, múltipla, psicossocial e visual. Mostrou o panorama brasileiro com os dados de uma pesquisa do IBGE de 2010, que hoje estima em aproximadamente 50 milhões de brasileiros com deficiência.

Abordando sobre as barreiras enfrentadas pelas pessoas com deficiência, Vilma, que possui deficiência visual, explicou os tipos e citou um exemplo que encontra em sua vivência como consumidora nas farmácias:

“Todas as caixas de remédio hoje trazem a escrita em braile e isso é muito importante para nós, cegos. Mas quando elas chegam nas farmácias, não sei por que, são colocadas etiquetas sobre o braile.”

Vilma esclareceu que essa sobreposição das etiquetas no braile, impede que os cegos consigam ler as embalagens e assim identificar os produtos. Orientar os funcionários a etiquetar adequadamente essas embalagens pode garantir a autonomia dos clientes cegos.

O CAPACITISMO E SEUS IMPACTOS SOCIAIS

Na sequência, Marcos falou sobre Capacitismo, esclarecendo o conceito e seu impacto social:

“É a discriminação da pessoa com deficiência. O termo é pautado na construção social de um corpo padrão perfeito denominado como normal e da subestimação da capacidade e aptidão das pessoas com deficiência em virtude de sua deficiência.”

Segundo Marcos, este conceito nasce de uma noção de padrão do que é normal e, nesse contexto, tudo o que é normal é o ideal. Contudo, afirma que o “normal” nada mais é do que o comum, enquanto o mundo real nos apresenta uma rica diversidade de indivíduos, plural em diversos aspectos.

As empresas que abraçam a diversidade, de acordo com Marcos, são capazes de ampla adaptação, pois com um quadro plural de funcionários terão diversas percepções sociais, o que certamente expandiria a sua capacidade de resolver problemas e de se comunicar com seu público. 

PEI CENTRO E O APOIO À EMPREGABILIDADE DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Após um momento de perguntas por parte da audiência, ambos os palestrantes reforçaram a disponibilidade do ITS BRASIL por meio do PEI Centro para dar apoio à equipe de recursos humanos da empresa, bem como às pessoas com deficiência no processo de inclusão (antes, durante e depois do processo).

CEFAAM PA – Retomada de cursos presenciais de marcenaria

O Centro de Formação de Artesãos de Parelheiros (CEFAAM/PA), retomou os cursos presenciais de Marcenaria com 4 turmas neste mês.

Vistoria e adaptações conforme os protocolos sanitários

Acompanhando a retomada, @luizotavio_alencar Luiz Otávio Alencar, presidente do @its.brasil Instituto de Tecnologia Social fez uma vistoria no local para certificar toda a segurança necessária neste retorno.

Seguindo rigorosamente os protocolos sanitários, adaptou-se o espaço da oficina de Marcenaria para garantir toda a segurança possível aos participantes.

Disponibilização de EPI’s

O @its.brasil Instituto de Tecnologia Social foi fundamental para este retorno, mediando a confecção de Viseiras (escudos faciais) para o @cefaamparelheiros, onde as mesmas serão fornecidas a todos os alunos durante as atividades presenciais.

#marcenaria#tecnologiasocial#inclusãosocial

Além do Coronavírus

Por Ladislau Dowbor

Fragilização generalizada das políticas sociais

Não sou médico para comentar os aspectos epidemiológicos do vírus que nos assola. Mas algumas implicações sociais e políticas são óbvias. O primeiro ponto é que desde o golpe há uma fragilização generalizada das políticas sociais – e para efeitos de governança tudo começa já em 2013 com as manifestações, e com o boicote (“Dilma pode até ganhar, mas não irá governar”) e a inversão de prioridades em 2014 favorecendo o sistema financeiro. O teto de gastos, a perda de direitos trabalhistas, o retrocesso na Previdência, os ataques às organizações da sociedade civil, o congelamento do salário mínimo e do Bolsa Família e outras medidas tiveram como denominador comum o travamento da renda e do acesso aos bens de consumo coletivo pelo grosso da população, enquanto se expandia radicalmente o lucro dos bancos e dos grandes aplicadores financeiros.

Foi justamente isso o que paralisou a economia. Os números são claros. Na fase distributiva, entre 2003 e 2013, tivemos um crescimento médio do PIB da ordem de 4% ao ano, apesar da crise de 2008; e de lá para cá, tivemos um recuo do crescimento médio do PIB da ordem de 3,5% em 2015 e em 2016, seguido da paralisia, o fundo do poço onde nos encontramos, com crescimento em torno de 1% ao ano, o que descontando o crescimento demográfico implica que estamos parados no nível de uns 8 anos atrás. E tudo foi feito “para proteger o país do déficit” atribuído à irresponsabilidade de Dilma Rousseff que “devia ter aprendido que uma dona de casa tem de gastar apenas o que tem”. Para registro, anotem os déficits apresentados no Resultado Fiscal do Governo Central, entre 2012 e 2019. O déficit foi de R$ 61 bilhões (1,3% do PIB) em 2012, 111 em 2013, passando para 272 em 2014 (já com a reversão política), 514 em 2015, 478 em 2016, 459 em 2017, 426 em 2018, e 400 em 2019. Em suma: Joaquim Levy, Henrique Meirelles, Paulo Guedes ou quem seja viraram campeões de déficit, prejudicando seriamente a vida do grosso da população.

A questão é que esses recursos, que não foram investidos na população, tampouco entraram no governo – e se tivesse entrado teria equilibrado as contas –, mas não entrou e foi para algum lugar… Se vocês consultarem o site do Tesouro Nacional vão constatar que o governo tem transferido em juros, essencialmente para bancos e outros aplicadores financeiros, entre R$ 300 e 400 bilhões por ano, dinheiro que precisamente deixou de ir para educação, segurança e o SUS.

Consultem a fonte, acessem http://www.tesouro.fazenda.gov.br/pt_PT/resultado-do-tesouro-nacional, cliquem em “Resultado Fiscal do Governo Central – Estrutura Nova”, e embaixo acessem a tabela 2.1. (Por alguma razão deslocaram recentemente os dados da tabela 4.1 para 2.1, vá lá entender). Vejam as linhas IX, X e XI, os números estão lá, discretos mas firmes, apontando a farsa.

O desemprego dobrou

Não há nenhum mistério quanto à paralisia econômica. Quando se reduziu a capacidade de compra da população, as empresas tiveram de reduzir o ritmo de produção – hoje estão trabalhando com menos de 70% da capacidade – e demitir seus empregados. O desemprego dobrou e se mantém nas alturas, com apenas um pouco de recuperação no setor informal. Ao travar o consumo das famílias e a produção das empresas (que dirá do investimento empresarial, ninguém investe com tamanha insegurança) se reduz também os impostos pagos tanto sobre o consumo como sobre outras atividades econômicas. Aprofunda-se ainda mais o déficit, ferrando com a população e as empresas.

O teto de gastos foi apresentado como medida séria, de “austeridade”, e reduziu drasticamente a capacidades de ação do SUS. Para os que tomam as decisões e têm planos de saúde sofisticados (aliás outra forma de extorsão), não havia preocupação nenhuma em travar o SUS. Estão cobertos pelo Einstein e outros hospitais. Para o grosso da população, foi um desastre, reduzindo fortemente a capacidade pública e gratuita de atendimento. Isso impacta evidentemente a expansão do Corona Vírus, e eis que os grupos privilegiados descobrem que o vírus não foi informado sobre a diferença entre quem tem plano de saúde e quem tem SUS. Ferrar o sistema universal e gratuito de atendimento, facilita a expansão do vírus, e isso vai atingir diretamente a todos. Aliás, as elites que viajam são as que mais contribuíram para trazer o vírus para o país, mas a generalização da vulnerabilidade cria precisamente o que se chama Crise. E é o que estamos vivendo, com C maiúsculo.

A crise atinge a todos, ou quase.

O vírus Corona é de índole democrática. Não tem preferências de classe. Os privilegiados têm sem dúvida mais meios de se proteger, com trabalho em casa pelo computador, com casa de campo, com amplos quartos que permitem evitar contatos diretos. Mas no conjunto a fragilização do sistema de saúde na massa da população agrava a vulnerabilidade do país como um todo.

Lições já estamos tirando, é um efeito indireto frequente quando surgem crises. De repente, nós lembramos que somos todos apenas seres humanos, com as mesmas vulnerabilidades, e fragilizar a saúde de uns gera tragédias para todos. E travar o Estado, em nome da “luta contra a corrupção”, quando se está desviando dinheiro do essencial (Saúde, Educação, Segurança…) para a acumulação financeira de milionários, constitui um escândalo sem tamanho que as pessoas estão começando a compreender.

A crise atinge a todos, ou quase. E neste momento (milagre!) os mesmos grupos que vieram “nos salvar” ao “nos proteger do Estado”, “enfrentar o déficit”, “privatizar bens públicos” se lembram precisamente da generosidade dos cofres públicos. Como em 2008, quando os desmandos dos bancos foram recompensados, pelo mundo afora, com o dinheiro público, no momento atual, o Estado volta a ser o salvador da pátria. São 800 bilhões de dólares nos Estados Unidos, 147 bilhões de reais no Brasil, outros tantos em diversos países. É necessário? Sem dúvida, mas vem tarde, e vem muito deformado: migalhas para os assalariados, esquecimento dos 40 milhões de informais e dos 12 milhões de desempregados, e mais dinheiro público para as empresas.

Uma sociedade mais solidária e resiliente

A meu ver, nós devemos juntar as forças para enfrentar o vírus, mas devemos também pensar que onde funciona, a saúde é pública, gratuita e universal, porque nesta área, as atividades públicas são muito mais eficientes do que o sistema privado. Nos Estados Unidos, o sistema é em grande parte privado, e custa 10.400 dólares por pessoa e por ano. No Canadá, onde é dominantemente público, atinge-se um nível de saúde muito superior com 4.400 dólares. O setor privado é ótimo para produzir hambúrguer, bicicletas, automóveis. Na saúde, educação, segurança, intermediação financeira e outros serviços essenciais de consumo coletivo, a privatização é uma desgraça. Vira indústria da doença, indústria do diploma, indústria da dívida. Sem falar das milícias.

O que temos pela frente, além do coronavírus, é pensar uma sociedade mais solidária e resiliente, em cada país e em cada cidade.

As culpas se tornam abstratas enquanto os desastres se tornam sistêmicos.

Uma outra dimensão capaz de ultrapassar a pandemia e apontar novos rumos é o desafio da governança planetária. No caso do aquecimento global, por exemplo, estamos assistindo a uma catástrofe em câmara lenta, enfileirando reuniões internacionais em que se constata que… “temos de tomar providências”. Quais providências? As providências cabíveis. Quando? No momento oportuno. Por quem? Pelas autoridades competentes. E assim por diante, o velho discurso que conhecemos. Os governos até assinam compromissos com boa vontade, mas voltando para casa, eles se preocupam mais com a sobrevivência do seu mandato do que com a sobrevivência da humanidade.

As corporações sempre conheceram perfeitamente, muito antes de nós, o tamanho dos desastres que contribuem para gerar. As empresas de cigarro conheciam, por pesquisas internas, a expansão do câncer e os milhões de mortes que ocasionavam – e que continuam a ocasionar – enquanto o negavam publicamente. A Volkswagen conhecia perfeitamente o volume de emissões de partículas que seus carros produziam, e sabia que estava contribuindo com cerca de 6 milhões de mortes que esta poluição ocasionava anualmente no mundo. A British Petroleum conhecia a tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas, mas dinheiro para os acionistas era mais importante.

A Vale sabe como se constrói uma simples barragem segura – somos um país que tem capacidade de construir uma Itaipu, mas aqui também os interesses financeiros dominam. As empresas de petróleo e do carvão sabem há décadas que estão levando a economia mundial para o desastre. A lista aqui pode ser imensa, o denominador comum é que o rendimento das ações e o bônus do conselho de administração, e sempre no curto prazo, dominam. A partir de um certo nível de amplitude, a própria responsabilidade se dilui. Os desmandos convergem e se ampliam, mas as culpas se tornam abstratas enquanto os desastres se tornam sistêmicos.

Austeridade criou a crise e não o coronavírus (Elliot Alderson/ Pixabay)

Sistema interligado e interdependente

Onde esses exemplos se cruzam com a presente pandemia? Na dimensão planetária dos desafios. A Europa está parando de produzir medicamentos porque depende de insumos da China e de outros países. Nos Estados Unidos, empresas param por falta às vezes de uma peça. A crise atual está nos fazendo tomar consciência de a que pontos somos hoje um sistema interligado e interdependente. Somos uma economia mundial, os seres humanos circulam freneticamente pelo planeta como milhões de formigas, o dinheiro imaterial circula na velocidade da luz sem controle provocando instabilidade generalizada, a informação se tornou uma commodity global, mas não temos governança planetária. Pelo contrário, predomina o oportunismo nefasto, que pode tomar a forma de exportação de lixo da Europa para a Ásia, de cobrança de níveis ridículos de impostos pela Irlanda (e tantos outros) para atrair empresas a qualquer custo, da manutenção de paraísos fiscais com soberania fictícia para favorecer transações ilegais e assim por diante.

Em outros termos, somos uma humanidade terráquea que se comporta politicamente como se o mundo do século XXI pudesse conviver com tribalismo político. Mas enquanto nos feudos europeus de antigamente os deslocamentos a cavalo e os massacres com espadas tinham limites físicos, não há limites neste planeta hiperconectado e interdependente, dotado de tecnologias de impacto global, e que ainda se mobiliza em torno a gritos nacionalistas, a ódios religiosos, a demagogos histéricos. Isso não funciona. Os países mais pobres estão fechando os seus portos aos navios com lixo dos países ricos, os países ricos estão se fechando por trás de cercas de arame farpado para se proteger dos pobres. Todos os países estão fechando suas fronteiras como se o Corona precisasse de visto de entrada! E a culpa pelo aquecimento global está sendo empurrada de um lado para outro. Cada um clama o seu direito soberano de defender os seus interesses a seu modo, ainda que o resultado sistêmico seja um desastre.

O que o coronavírus nos lembra, ou praticamente esfrega na nossa cara, é que estamos realmente maduros para um sistema de soberania compartilhada e regulada no plano global. A ONU apresenta o Global Green New Deal, a OCDE negocia o acordo Base Erosion and Profit Shifting (BEPS) buscando assegurar primeiros passos na regulação fiscal e financeira do planeta, o World Inequality Database (WID) sistematiza os dados básicos sobre a rupturas sociais e econômicas, grandes corporações e grupos financeiros estão acenando com possíveis reorientações no seu comportamento, até Davos apela para evoluirmos da prioridade dos acionistas para as prioridades da sociedade e do meio ambiente (From Shareholders to Stakeholders). Um simples apelo do Papa para discutir uma outra economia, a Economia de Francisco, reúne pesquisadores de primeira linha mundial.

É tempo de pensar caminhos

A crise global pode gerar – e apenas pode – um choque de bom senso. Confinado em casa, tenho todo o tempo de enfrentar as 1200 páginas de Capital e Ideologia, de Thomas Piketty, na edição francesa (ainda não saiu em português, mas está disponível em inglês). Raramente vi tanto bom senso organizado. O livro trata essencialmente do nosso principal drama, a desigualdade, e é um primor de realismo na análise e de clareza nas propostas. E me impressiona o leque de trabalhos de primeira linha que estão construindo uma nova visão de como a economia e a sociedade podem ser reorganizadas. O People, Power and Profits do Joseph Stiglitz, A Economia Donut de Kate Raworth, O Estado Empreendedor de Mariana Mazzucato, A Apropriação Indébita de Gar Alperovitz e Lew Daly, The Public Bank Solution de Ellen Brown, os trabalhos de Há-Joon Chang, de Marjorie Kelly, de Ann Pettifor, de Saez e Zucman, de Jeremy Rifkin, enfim, há uma revolução teórica em curso que está transformando a forma de analisarmos o que acontece no mundo. Uma nova visão está surgindo.

Não há dúvidas que continuamos nas poderosas mãos de gigantes corporativos, que os interesses financeiros se apropriam dos próprios governos, que populações frustradas pela política que não lhes serve votam em qualquer demagogo que lhes alimente o ódio. Mas tampouco há dúvidas de que as soluções estão na construção de novos pactos sociais, não apenas de preservar ou reconquistar o que já tivemos. É tempo de pensar caminhos.

Ladislas Dowbor, conhecido como Ladislau Dowbor, é um economista brasileiro formado em economia política e Doutor em Ciências Econômicas. Professor de economia na PUC-SP com experiência internacional, é autor e co-autor de aproximadamente de 40 livros e de diversos artigos, cujo conteúdo está disponível em: dowbor.org.

Selo Doar Renovado

Uma conquista

Obtivemos mais uma vez a aprovação no processo de Certificação do Selo Doar com conceito A. Essa conquista é resultado do trabalho, esforço e dedicação de toda a equipe do ITS BRASIL.

O Selo Doar tem como objetivo estimular, legitimar e destacar o profissionalismo e a transparência nas organizações não-governamentais brasileiras.

O que é Padrão de Gestão e Transparência?

Atestamos nossa adequação ao Padrão de Gestão e Transparência (PGT) do Terceiro Setor. O PGT é um conjunto de práticas e ações recomendadas para as organizações sem fins lucrativos brasileiras.

As recomendações foram desenvolvidas pelo Instituto Doar e orientam as organizações brasileiras que buscam aprimorar seus processos internos, e ampliar o grau de transparência de suas ações. Como resultado, fomenta-se a confiança de doadores e apoiadores.

Quais são os critérios?

São 52 critérios elaborados a partir de uma extensa pesquisa dos conceitos e critérios adotados por entidades nacionais e internacionais e da literatura especializada em avaliação de organizações sem fins lucrativos. O Selo Doar está organizado em oito tópicos:

  • Causa e estratégia
  • Governança
  • Contabilidade e Finanças
  • Gestão
  • Recursos Humanos
  • Estratégia de financiamento:
  • Comunicação
  • Prestação de contas e transparência

Confira a nossa certificação: https://www.institutodoar.org/certificado-its/

Consulte também outros certificados do ITS BRASIL: http://itsbrasil.org.br/quem-somos/certificacoes-e-premios/

Palestra do PEI Centro abre vagas para pessoas com deficiência

“Quero trabalhar com pessoas com deficiência, pode abrir minha posição”

Afirmou um dos membros da ATMOSFERA ELIS BRASIL para Daiane Silva dos Recursos Humanos, após o fim de uma palestra realizada por Vilma Roberto, responsável pela sensibilização de empresas no Polo de Empregabilidade Inclusivo – Centro (PEI Centro).

O PEI Centro realiza palestras de sensibilização, apresentando as ações do Programa Meu Emprego Trabalho Inclusivo do Governo do Estado de São Paulo e a Metodologia do Emprego Apoiado como suporte às empresas e aos profissionais no processo de inserção da pessoa com deficiência.

“O pessoal saiu bem entusiasmado. Eu acabei de sair da reunião e passei na sala de um diretor e tinham três pessoas do time falando que tinham duas posições, uma posição e que queriam focar na pessoa com deficiência.” Relatou Daiane.

Dúvidas sobe a inclusão da pessoa com deficiência

Ao final da palestra do dia 10/08/2020, houve um momento aberto para dúvidas da equipe, apresentadas a seguir.

Uma pessoa com deficiência pode ser abordada para uma medida disciplinar como qualquer outro funcionário?

Resposta: Para qualquer funcionário sempre conversar e entender as necessidades é o melhor caminho. Com as pessoas com deficiência não é diferente.  A pessoa com deficiência deve sofrer as mesmas penalidades que qualquer outro funcionário, desde que a empresa respeite as especificidades dessas pessoas.

O técnico de Emprego Apoiado conhece profundamente o profissional que está acompanhando e pode dar apoio no processo de adaptação do profissional à vaga, para que haja uma ampla compreensão de seus direitos e deveres.

O funcionário era uma pessoa com deficiência intelectual e tinha problemas em casa, pois sofria de violência doméstica e isso impactava em sua produtividade no trabalho. Como podemos dar apoio a essa pessoa?

Resposta: O poder público está despertando para isso com delegacias especializadas. Se uma pessoa com deficiência estiver sofrendo algum tipo de violência, isso deve ser denunciado da mesma forma que deveria ser denunciado se fosse contra uma pessoa sem deficiência. Os técnicos de Emprego Apoiado fazem a intermediação entre o indivíduo, a família e a empresa e podem ajudar na denúncia.

Trabalhei em um banco e um colega cadeirante era tratado de forma diferente, com toda a atenção. Com o passar do tempo ele começou a praticar fraudes bancárias, gerando grandes transtornos para a empresa e para os clientes. Minha preocupação é contratar uma pessoa sem saber do seu histórico profissional. Como proceder nesses casos?

Resposta: Ali é uma característica pessoal, essa pessoa foi desonesta como qualquer outra pessoa sem deficiência poderia ter sido. Essa contratação deve ser feita do mesmo jeito para todos. A exigência do histórico profissional, assim como de escolaridade, deve ser igual e isso não vai assegurar a qualidade do trabalho. Só existe uma forma de saber se a produção da pessoa é de qualidade, que é colocar a pessoa para trabalhar. Se der certo, deu, se não der, substitui. Isso independe de deficiência. 

É importante também que a empresa dê o apoio necessário, pois houve caso em que por falta de apoio à pessoa com deficiência foi demitida ao ser considerada como improdutiva, mas isso não era verdade. Ela foi inserida em outra empresa e hoje é super produtiva. O que ela precisava era é ser treinada, e que as pessoas da empresa não tivessem medo de chegar perto dela.

Vídeo mostra 15 Países com mais casos de COVID-19

Brasil em 2º lugar com mais de dois milhões de casos

 

O vídeo a seguir mostra como a COVID-19 vem se expandindo no mundo ao longo dos meses. Foi desenvolvido pelo @worldwide_engineering com dados fornecidos pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC).

Vídeo apresenta a cronologia do aumento no número de casos da COVID-19 no mundo. Inicialmente a China aparece com mais de 81 mil casos em fevereiro, seguida da Itália e da Espanha. Ao final, com dados do dia 21 de julho, os Estados Unidos aparecem com quase de 4 milhões de casos, seguidos pelo Brasil com mais de 2 milhões e em terceiro a Índia.
Vídeo apresenta a cronologia do aumento no número de casos da COVID-19 no mundo. Inicialmente a China aparece com mais de 81 mil casos em fevereiro, seguida da Itália e da Espanha. Ao final, com dados do dia 21 de julho, os Estados Unidos aparecem com quase de 4 milhões de casos, seguidos pelo Brasil com mais de 2 milhões e em terceiro a Índia.

PALESTRA Online: Inclusão da Pessoa com Deficiência no Mercado de Trabalho

Vilma Roberto possui deficiência visual total e é formada em Jornalismo. Coordena projetos de Empregabilidade de Pessoas com Deficiência no Instituto de Tecnologia Social – ITS BRASIL. Hoje o ITS BRASIL atua, sob a gestão da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, no Polo de Empregabilidade Inclusivo (PEI) Centro, ação do Governo do Estado de São Paulo.

Em sua palestra no dia 28/07 à empresa ATMOSFERA ELIS BRASIL, parceira do PEI Centro, Vilma apresenta o cenário para a pessoa com deficiência no Brasil, o conceito do termo, as principais barreiras enfrentadas por essas pessoas, como a Metodologia do Emprego Apoiado pode ajudar no processo de inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho e a importância da Lei de Cotas para a sociedade.

1/4 dos brasileiros possuem deficiência

Quem são as pessoas com deficiência?

Segundo o último censo do IBGE de 2010, 1/4 da população brasileira declarou ter algum tipo de deficiência. Hoje somos aproximadamente 208 milhões de brasileiros, cerca de 52 milhões de pessoas com deficiência. A OMS considera que de 12% a 15% da população de cada país apresenta algum tipo de deficiência.

São pessoas que apresentam um impedimento ou limitação de longo prazo de natureza física, intelectual, mental, auditiva, visual ou múltipla (quando dois ou mais desses impedimentos estão presentes). A deficiência, destaca Vilma, é apenas mais uma característica da pessoa, tal como ser gordo, magro, alto ou baixo.

A experiência de ser uma pessoa com deficiência acontece quando o indivíduo que possui uma dessas características, encontra barreiras que existem na sociedade. Essas barreiras impedem que as pessoas exerçam sua cidadania de forma plena.

Condições iguais para todos

“Quem nunca precisou enfaixar um braço ou uma perna?” – Questiona Vilma. Quem já teve deficiência temporária pôde experimentar a falta de acessibilidade e barreiras físicas nos espaços públicos e privados.

Vilma aponta as barreiras atitudinais como sendo as mais importantes, pois elas podem de fato impedir que as pessoas com deficiência entrem no mercado de trabalho e nas escolas, embora existam leis que determinem a sua inclusão nesses ambientes. Garantir condições iguais para que os indivíduos consigam acompanhar em igualdade as atividades propostas é fundamental. No caso das crianças com deficiência visual, elas precisam de livros em braile ou com áudio-descrição para conseguirem participar em equiparação de condições com as outras crianças sem deficiência.

A legislação brasileira preconiza o protagonismo da pessoa com deficiência, garantindo sua independência por meio do trabalho digno, com representatividade política e social, direitos e deveres.

Meu Emprego Trabalho Inclusivo – PEI Centro

O PEI Centro adota a Metodologia do Emprego Apoiado, que acompanha a pessoa com deficiência desde o processo seletivo até a sua inserção no mercado de trabalho. O acompanhamento do Emprego Apoiado visa garantir que o trabalhador com deficiência consiga alcançar sua autonomia no exercício de suas atividades. Este acompanhamento é necessário, pois muitas vezes as empresas apresentam resistência durante o processo de adaptação. Há situações, por exemplo, em que é necessário o apoio de um intérprete de LIBRAS para ajudar na comunicação com a equipe de trabalho nesta fase.

A pessoa com deficiência recebe o treinamento no posto de trabalho como qualquer outro trabalhador sem deficiência. Nos primeiros dias, um facilitador, o técnico de Emprego Apoiado, acompanha o trabalhador. É indispensável haver sempre uma comunicação clara entre a equipe de trabalho, a liderança e o trabalhador com deficiência. Vilma recomenda que se houver dúvidas na abordagem, a melhor forma é perguntar com clareza e sinceridade: “Você precisa de ajuda?” ou “Como eu posso ajudar?”.

As regras e responsabilidades a serem cumpridas no trabalho devem ser estabelecidas de forma clara e direta, independentemente do tipo de deficiência. Um exemplo de regra e responsabilidade, é a questão da pontualidade. O tratamento e a cobrança sobre a pontualidade deverão ser os mesmos para funcionários com deficiência e funcionários sem deficiência, conforme estabelecido no contrato de trabalho. É importante fazer as cobranças de forma justa, não concedendo privilégios ao trabalhador com deficiência, e respeitando sempre suas dificuldades.

Lei de Cotas: uma grande conquista para todos.

A Lei de Cotas, que completou 29 anos no dia 24 de julho, representa uma grande conquista para os direitos da pessoa com deficiência. “Sem ela, as empresas não contratariam as pessoas com deficiência, porque a sociedade não enxerga potencial nelas, só a deficiência.”

Durante muito tempo as pessoas com deficiência foram apartadas da sociedade, e hoje ainda persiste uma notória desvantagem social, que observamos na falta de acessibilidade nos transportes, por exemplo. A lei tem o papel de compensar essa desvantagem, que tanto excluiu e ainda exclui essas pessoas.

Equipes acolhidas de forma humana

Ao ser de caráter obrigatório, a Lei de Cotas é capaz de mostrar o quanto que a diversidade social pode agregar em valores humanos para as empresas. Acima de tudo, demonstrar o quão produtivos os trabalhadores com deficiência podem ser, quebrando resistências e preconceitos.

Vilma acrescenta as vantagens percebidas pelas empresas que contratam pessoas com deficiência. De acordo com pesquisas, seus consumidores são muito mais abertos e se conquista a simpatia de novos mercados. Além disso, as próprias equipes também se sentem mais acolhidas de forma humana. Porque, segundo ela, “Se um funcionário sem deficiência ficar com deficiência, a empresa ainda vai enxergá-lo com seu potencial”.