Foto de um notebook sobre a mesa, e na tela a imagem de seis pessoas usando máscara e sentadas em carteiras com distanciamento. No lado direito, painel com quatro pessoas conectadas no Google Meet, assistindo à apresentação da palestra sobre inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho.

PALESTRA Online: Inclusão da Pessoa com Deficiência no Mercado de Trabalho

Vilma Roberto possui deficiência visual total e é formada em Jornalismo. Coordena projetos de Empregabilidade de Pessoas com Deficiência no Instituto de Tecnologia Social – ITS BRASIL. Hoje o ITS BRASIL atua, sob a gestão da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, no Polo de Empregabilidade Inclusivo (PEI) Centro, ação do Governo do Estado de São Paulo.

Em sua palestra no dia 28/07 à empresa ATMOSFERA ELIS BRASIL, parceira do PEI Centro, Vilma apresenta o cenário para a pessoa com deficiência no Brasil, o conceito do termo, as principais barreiras enfrentadas por essas pessoas, como a Metodologia do Emprego Apoiado pode ajudar no processo de inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho e a importância da Lei de Cotas para a sociedade.

1/4 dos brasileiros possuem deficiência

Quem são as pessoas com deficiência?

Segundo o último censo do IBGE de 2010, 1/4 da população brasileira declarou ter algum tipo de deficiência. Hoje somos aproximadamente 208 milhões de brasileiros, cerca de 52 milhões de pessoas com deficiência. A OMS considera que de 12% a 15% da população de cada país apresenta algum tipo de deficiência.

São pessoas que apresentam um impedimento ou limitação de longo prazo de natureza física, intelectual, mental, auditiva, visual ou múltipla (quando dois ou mais desses impedimentos estão presentes). A deficiência, destaca Vilma, é apenas mais uma característica da pessoa, tal como ser gordo, magro, alto ou baixo.

A experiência de ser uma pessoa com deficiência acontece quando o indivíduo que possui uma dessas características, encontra barreiras que existem na sociedade. Essas barreiras impedem que as pessoas exerçam sua cidadania de forma plena.

Condições iguais para todos

“Quem nunca precisou enfaixar um braço ou uma perna?” – Questiona Vilma. Quem já teve deficiência temporária pôde experimentar a falta de acessibilidade e barreiras físicas nos espaços públicos e privados.

Vilma aponta as barreiras atitudinais como sendo as mais importantes, pois elas podem de fato impedir que as pessoas com deficiência entrem no mercado de trabalho e nas escolas, embora existam leis que determinem a sua inclusão nesses ambientes. Garantir condições iguais para que os indivíduos consigam acompanhar em igualdade as atividades propostas é fundamental. No caso das crianças com deficiência visual, elas precisam de livros em braile ou com áudio-descrição para conseguirem participar em equiparação de condições com as outras crianças sem deficiência.

A legislação brasileira preconiza o protagonismo da pessoa com deficiência, garantindo sua independência por meio do trabalho digno, com representatividade política e social, direitos e deveres.

Meu Emprego Trabalho Inclusivo – PEI Centro

O PEI Centro adota a Metodologia do Emprego Apoiado, que acompanha a pessoa com deficiência desde o processo seletivo até a sua inserção no mercado de trabalho. O acompanhamento do Emprego Apoiado visa garantir que o trabalhador com deficiência consiga alcançar sua autonomia no exercício de suas atividades. Este acompanhamento é necessário, pois muitas vezes as empresas apresentam resistência durante o processo de adaptação. Há situações, por exemplo, em que é necessário o apoio de um intérprete de LIBRAS para ajudar na comunicação com a equipe de trabalho nesta fase.

A pessoa com deficiência recebe o treinamento no posto de trabalho como qualquer outro trabalhador sem deficiência. Nos primeiros dias, um facilitador, o técnico de Emprego Apoiado, acompanha o trabalhador. É indispensável haver sempre uma comunicação clara entre a equipe de trabalho, a liderança e o trabalhador com deficiência. Vilma recomenda que se houver dúvidas na abordagem, a melhor forma é perguntar com clareza e sinceridade: “Você precisa de ajuda?” ou “Como eu posso ajudar?”.

As regras e responsabilidades a serem cumpridas no trabalho devem ser estabelecidas de forma clara e direta, independentemente do tipo de deficiência. Um exemplo de regra e responsabilidade, é a questão da pontualidade. O tratamento e a cobrança sobre a pontualidade deverão ser os mesmos para funcionários com deficiência e funcionários sem deficiência, conforme estabelecido no contrato de trabalho. É importante fazer as cobranças de forma justa, não concedendo privilégios ao trabalhador com deficiência, e respeitando sempre suas dificuldades.

Lei de Cotas: uma grande conquista para todos.

A Lei de Cotas, que completou 29 anos no dia 24 de julho, representa uma grande conquista para os direitos da pessoa com deficiência. “Sem ela, as empresas não contratariam as pessoas com deficiência, porque a sociedade não enxerga potencial nelas, só a deficiência.”

Durante muito tempo as pessoas com deficiência foram apartadas da sociedade, e hoje ainda persiste uma notória desvantagem social, que observamos na falta de acessibilidade nos transportes, por exemplo. A lei tem o papel de compensar essa desvantagem, que tanto excluiu e ainda exclui essas pessoas.

Equipes acolhidas de forma humana

Ao ser de caráter obrigatório, a Lei de Cotas é capaz de mostrar o quanto que a diversidade social pode agregar em valores humanos para as empresas. Acima de tudo, demonstrar o quão produtivos os trabalhadores com deficiência podem ser, quebrando resistências e preconceitos.

Vilma acrescenta as vantagens percebidas pelas empresas que contratam pessoas com deficiência. De acordo com pesquisas, seus consumidores são muito mais abertos e se conquista a simpatia de novos mercados. Além disso, as próprias equipes também se sentem mais acolhidas de forma humana. Porque, segundo ela, “Se um funcionário sem deficiência ficar com deficiência, a empresa ainda vai enxergá-lo com seu potencial”.

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