Imagem da capa do Diario do Grande ABC. Acima, uma faixa azul em que se lê o título em branco. Abaixo, uma faixa de destaque com a notícia: Mercado de trabalho da região é composto por 1,3% de pessoas com deficiência; média supera a nacional. Abaixo, a folha branca do jornal com outras notícias e imagens

Emprego Apoiado no ABC é notícia no Diário do Grande ABC

Emprego Apoiado no ABC

O projeto ainda está em fase de implementação, nos primeiros meses de atuação, mas seu impacto é sentido por cada pessoa que está sendo apoiada em sua (re)inserção no mercado de trabalho formal.

A metodologia do Emprego Apoiado se caracteriza por um conjunto de ações de assessoria, orientação, treinamento e acompanhamento personalizado, dentro e fora do local de trabalho, realizadas por Técnicos de Emprego Apoiado (TEA). Essa tecnologia social, com mais de 35 anos de aplicação nos Estados Unidos e na Europa, vem se consolidando em uma ferramenta eficaz para apoiar na inclusão de profissionais com deficiência.

Atualmente, o ITS BRASIL atua com projetos de Emprego Apoiado em São Paulo, no ABC e Baixada Santista, tendo inserido mais de 600 pessoas no mercado de trabalho,independente de sua deficiência (visual, física, intelectual, psicossocial, auditiva e múltipla). Além dos atendimentos à pessoa com deficiência, o projeto tem nas parcerias com diversas empresas no município, onde as pessoas serão empregadas, um dos elementos necessários ao seu funcionamento. Tanto as empresas quanto as pessoas com deficiência não têm nenhum custo para participar do projeto.

Estamos abertos a fazer parcerias com empresas regionais interessadas em implementar a inclusão social em suas práticas. Pessoas com deficiência que queiram participar do projeto podem nos enviar seu currículo ou ligar para o ITS BRASIL.

Veja todos os dados para contato em: www.itsbrasil.org.br/contato

Veja abaixo a notícia ou acesse o site do Diário do Grande ABC: http://www.dgabc.com.br/Noticia/2879077/pessoas-com-deficiencia-sao-1-3-dos-profissionais

Pessoas com deficiência são 1,3% dos profissionais

Nario Barbosa: Foto de Fabio Moreno no galpão fazendo a locomoção de caixas

Inclusão na região é maior do que no País, em que 0,9% deles estão no mercado de trabalho
Flavia Kurotori
Especial para o Diário

“Todo mundo deve ser feliz.” A frase que, no primeiro momento, soa clichê, foi dita por Fábio Maurício Moreno, 49 anos, deficiente auditivo que mora em Santo André com a mulher e os dois filhos e trabalha há pouco mais de um mês em fábrica de zíperes e aviamentos. Sempre de bom humor e com sorriso leve, conquistou a simpatia de todos os setores da empresa. “Gratidão” é a palavra que faz parte de seu dia a dia, que sempre diz “obrigado” juntando as mãos como quem reza pela nova oportunidade no mercado de trabalho – após dez anos em multinacional alimentícia, ele havia sido demitido em outubro, em ação para reduzir gastos.

Moreno é um dos 9.581 trabalhadores com algum tipo de deficiência do Grande ABC conforme dados da última Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) disponível, de 2016. Significa que 1,31% dos 731.238 profissionais com carteira assinada são PCDs (Pessoas Com Deficiência).

Esse percentual supera o do País, em que, segundo a Rais, 0,9% dos trabalhadores têm deficiência. São 418 mil pessoas, num universo de 46 milhões.

“É preciso abrir portas e mostrar que as pessoas com deficiência são capazes. Um surdo, por exemplo, tem como única limitação o fato de não poder atender o telefone, mas pode desenvolver outras tarefas normalmente”, assegura Vilma Roberto, coordenadora da ITS Brasil (Instituto de Tecnologia Social), entidade que recoloca pessoas com deficiência no mercado de trabalho por meio da metodologia de emprego apoiado.

Sequela do sarampo deixou Moreno surdo aos 5 anos. Após a demissão da linha de produção da empresa alimentícia, ele fez ‘bicos’ como pedreiro e jardineiro, ao mesmo tempo em que distribuía currículos. “A falta de comunicação é um dos principais problemas. Em um dos lugares, disseram para eu aguardar o contato, mas nunca retornaram”, conta ele, que não tem vergonha de tirar as dúvidas com os colegas e, sempre que pode, não nega ajuda a quem precisa. Sua encarregada, Renata Aparecida de Jesus, garante que ele é um dos funcionários mais concentrados e atentos às normas de segurança da empresa. Moreno ingressou na Coats Corrente, no Ipiranga, após indicação de um amigo, por meio do ITS Brasil.

É importante destacar que a Lei de Cotas (8.213/1991) obriga que empresas com 100 ou mais funcionários possuam entre 3% e 5% das vagas reservadas para PCDs.

PROCEDIMENTO

“O primeiro passo para conseguir colocação é traçar os perfis pessoal, profissional e vocacional da pessoa e, a partir dos resultados, buscamos vagas compatíveis nas empresas parceiras”, explica Vilma, que atua na região.

Na etapa seguinte, o instituto apresenta o candidato à companhia, onde é feita entrevista. “Todo o processo é acompanhado pelo TEA (Técnico de Emprego Apoiado), que auxilia ao acrescentar informações pertinentes, pois, em muitos casos, a pessoa com deficiência não sabe se valorizar porque já está acostumada a ser diminuída pela sociedade”, salienta Vilma. Se a firma aprovar, a pessoa é contratada formalmente. “O ITS não capacita para o mercado, e sim, fornece suporte. O TEA acompanha a pessoa pelo tempo necessário ao local de trabalho até que ela se adeque ao ambiente e à função.”

No caso de Moreno, contratado como auxiliar de movimentações, a integração levou cerca de quatro dias. Segundo ele, o suporte é importante, dado que, nos empregos anteriores, a incorporação no ambiente de trabalho foi mais demorada, principalmente por conta da dificuldade na comunicação, ainda que ele faça leitura labial e oralize suas falas.

“No início, a equipe estava receosa porque nunca tínhamos lidado com deficiente auditivo no setor. Mas está dando certo e hoje tudo mudou por causa dele”, lembra Renata. “O Fábio (Moreno) alegra o ambiente, além de incentivar e motivar os demais.”

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as sete cidades possuem 2,7 milhões de habitantes e, destes, 28 mil (10,37%) são PCDs.

Ajuda é gratuita a candidatos e firmas

O projeto do ITS Brasil (Instituto de Tecnologia Social), que ajuda pessoas com deficiência a se recolocar no mercado de trabalho, está atuando no Grande ABC desde janeiro. Até o momento, cerca de 30 pessoas foram apoiadas em, aproximadamente, 70 empresas parceiras no Estado.

Vale ressaltar que o auxílio é gratuito, e os interessados podem procurar o instituto pelo site http://itsbrasil.org.br/. Do mesmo modo, companhias interessadas em parcerias podem agendar reunião com o ITS Brasil com o objetivo de esclarecer pontos da colaboração.

“Outras empresas nos ajudam a recrutar pessoas com deficiência, mas, neste caso, a vantagem é o suporte após a contratação, pois facilita a integração”, afirma Amanda Maciel Lino, auxiliar de RH (Recursos Humanos) da Coats Corrente.

O ITS Brasil opera junto ao Pronas/PcD (Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência) – programa desenvolvido para incentivar ações de entidades sem fins lucrativos – do Ministério da Saúde.

Ainda que não tenha estabelecido meta de atendimento na região, Vilma Roberto, coordenadora do ITS Brasil, está otimista. “O projeto começa devagar, mas vai abrindo portas. As empresas do Grande ABC ainda estão um pouco resistentes por causa da falta de informação, mas estamos trabalhando no processo de conscientização.”

Imagem da capa do caderno de economia. A notícia descrita acima ocupa 3/4 da página. Há também uma tabela que relata o número de pessoas empregadas, separadas por tipo de deficiência. Seguem os dados: Santo André Física 899 Auditiva 596 Visual 225 Intelectual 273 Múltipla 27 Reabilitado 388 Total 2.408 São Bernardo Física 1.559 Auditiva 1.131 Visual 376 Intelectual 443 Múltipla 61 Reabilitado 179 Total 3.749 São Caetano Física 563 Auditiva 291 Visual 125 Intelectual 221 Múltipla 13 Reabilitado 89 Total 1.302 Diadema Física 465 Auditiva 399 Visual 86 Intelectual 107 Múltipla 15 Reabilitado 82 Total 1.154 Mauá Física 308 Auditiva 182 Visual 57 Intelectual 68 Múltipla 7 Reabilitado 84 Total 706 Ribeirão Pires Física 78 Auditiva 51 Visual 19 Intelectual 41 Múltipla 13 Reabilitado 21 Total 223 Rio Grande da Serra Física 17 Auditiva 15 Visual 2 Intelectual 3 Múltipla 0 Reabilitado 2 Total 39 GRANDE ABC Física 3.889 Auditiva 2.665 Visual 890 Intelectual 1.156 Múltipla 136 Reabilitado 845 Total 9.581

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